Quem acompanha o blog percebeu que os últimos posts foram sobre questões históricas da internet como o 1º e-mail, as principais mancadas e o primeiro provedor.
Há pouco tempo escrevi sobre o desenvolvimento do processador 100 core que seria uma revolução na informática e agora para fechar o ciclo nada melhor do que falar de um dos primeiros processadores do mercado, a dupla 386 e 486.
A maioria das pessoas tiveram no seu primeiro computador pessoal o processador 386 ou 486. O microprocessador 386 começou a ser utilizado em 1986 e teve vida ativa até 1994. Produzido pela Intel, o 386 revolucionou o mercado devido a sua capacidade de executar mais de uma tarefa simultâneamente (multitarefa preemptiva) e memória em modo protegido de maneira realmente eficiente.
Ter um processador 386 é o requisito mínimo para rodar qualquer sistema operacional ou aplicativo de modo protegido moderno. Com um 386, um mínimo de memória RAM e espaço em disco suficiente, você pode rodar o Windows 95 e a maioria dos aplicativos para ele, embora bem lentamente devido à pouca potência do processador. O 386 foi o grande marco dos processadores para micros PC, pois foi o primeiro processador a trazer o conjunto de instruções x86, que são suportadas por todos os processadores modernos
Se o processador 486 (que se eu me lembro bem foi o meu primeiro computador) do ponto de vista do software é bastante similar ao 386 no quesito hardware eles apresentam grandes diferenças em favor do novo processador. São diferenças técnicas que eu acho massantes para serem colocadas aqui no blog, mas se você tiver interesse você pode encontra-las aqui.

Como consumidor (na época apenas mais uma criança viciada em games) eu lembro que o 486 era infinitamente mais rápido que o 386 e eles também foram o primeiro a suportar o tão famoso Kit multimídia (para quem não sabe existia uma época em que os computadores não vinham com drive de CD, placa de vídeo e caixa de som).
O que permitiu a melhora de desempenho do 486 em relação ao seu antecessor foi o Pipeline. Resumidamente até o 386, os processadores da família x86 eram capazes de processar apenas uma instrução de cada vez, seria mais ou menos como montar um carro de maneira artesanal, peça por peça. Para melhorar o desempenho do 486, a Intel resolveu usar o pipeline, uma técnica inicialmente usada em processadores RISC, que consiste em dividir o processador em vários estágios distintos.
O 486, possui um pipeline de 5 níveis, ou seja, é dividido em 5 estágios. O uso dos 5 estágios de pipeline no 486 não chega a multiplicar por cinco a performance do processador, na verdade a performance não chega nem mesmo a dobrar, mas o ganho é bem significativo. Voltando ao exemplo do carro, seria como se trocássemos a produção artesanal por uma linha de produção, onde cada departamento cuida de uma parte da montagem, permitindo montar vários carros simultaneamente.
Apesar de hoje estarem obsoletos é inegável que esta dupla de processadores revoluciou a computação e até hoje serve como base para os microprocessadores mais modernos.


Saudades… O 386 foi meu primeiro computador, fez-me lembrar da época de estágio no segundo grau em informática, onde manuseávamos o 386 com muita dificuldade. Hoje em dia com a tecnologia mais avançada, supri a lembrança do 386 e o 486. Bacana! Recordar é viver…rsrsrsrs.